Mercado suíno ganha fôlego, mas momento ainda exige cautela

Mercado suíno ganha fôlego, mas momento ainda exige cautela

Kg do suíno vivo, exportações e mercado interno demonstram potencial do setor em momento de crise

 

Mesmo com o preço do milho ainda em alta, o mercado de suínos vem mostrando sinais de reação nas últimas semanas. O valor pago pelo quilo do animal vivo registrou aumento de pelo menos R$ 0,10 em estados como São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além disso o preço da carne no mercado interno tem mantido bom patamar em relação a carne bovina e ao frango, dando competitividade à proteína. As exportações em ritmo acelerado, cerca de 83 mil toneladas somente entre os meses de janeiro e fevereiro de 2016, tem sido outra válvula de escape.

Na avaliação do diretor executivo da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Nilo de Sá, os novos valores de mercado dão fôlego ao produtor, mas ainda não apagam o sinal de alerta do setor. “Mesmo com o bom resultado das exportações, o valor pago pelo suíno vivo ainda permanece abaixo do ideal considerando o atual cenário do mercado de grãos. Em São Paulo, por exemplo, a primeira bolsa do mês de março registrou R$66,00 a R$68,00 a arroba, média de R$ 3,52 a R$ 3,63 pago pelo Kg do suíno vivo. Entretanto, com o milho sendo comercializado a cerca de R$44,00/saca no estado a relação de troca kg do suíno vivo x milho permanece inferior a 1:5, construindo um cenário bastante desafiador para o suinocultor”, avalia.

Quanto aos custos de produção, os altos preços pagos pela saca do milho ainda têm sido o grande desafio dos suinocultores em 2016. A alta do dólar elevou as exportações de milho para patamares recordes e os custos de produção tem comprometido a atividade. Nos dois primeiros meses de 2016 o Brasil exportou 9,83 milhões de toneladas, volume 128% superior ao observado no mesmo período de 2015 e equivalente a cerca de 34% de todo o volume exportado no ano passado.

O início da colheita da 1ª safra, que responde por cerca de 35% da produção nacional, e alguns leilões da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reduziram um pouco a pressão no mercado, entretanto o cenário ainda é desfavorável. “É nesse sentido que estamos trabalhando junto ao Mapa e a Frente Parlamentar da Suinocultura para buscar a adoção de políticas públicas que auxiliem os produtores, a médio e o longo prazo, nesses momentos dificuldade mercadológica. A suinocultura brasileira é uma das mais capacitadas e reconhecida mundialmente pela sua qualidade de produção, portanto não pode ficar dependente apenas de medidas emergenciais para superar momento como esse”, enfatizou Nilo de Sá.

Diante disso, de Sá acrescenta que é muito importante para o setor manter as exportações aquecidas. “As quase 83 mil toneladas exportadas este ano representam um aumento de mais de 80% em comparação com o mesmo período de 2015 e o maior volume já registrado no primeiro bimestre. Entretanto, devido a redução do valor da carne suína no mercado internacional o aumento no faturamento com as exportações foi de apenas 21%. Apesar disso, manter as exportações no mesmo patamar de 2015, cerca de 550 mil toneladas, significa aumentar a disponibilidade interna o que pode pressionar o valor pago ao suinocultor, já que simultaneamente observa-se uma queda na renda das famílias brasileiras”, comenta.

Por outro lado, a manutenção do preço da carne bovina num patamar mais alto e a valorização da carne de frango, superior a 30% nos últimos 12 meses, torna a carne suína ainda mais atrativa para o consumidor brasileiro. Assim, o mercado nacional tem sido visto como o fiel da balança para dar sustentabilidade ao produtor. “O Brasil possui mais de 200 milhões de habitantes e um consumo de carne suína ainda baixo, de cerca de 15 kg per capta. Fazer com que o brasileiro coloque a carne suína na sua rotina certamente é um dos maiores desafios que a cadeia precisa superar para conseguir manter um bom ritmo de crescimento”, finaliza de Sá.

 

Fonte: ABCS
Publicado em 09/03/2016

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