OIE oficializa certificação de área livre de PSC para 14 estados brasileiros

Confirmação aconteceu durante a Assembleia Geral da entidade, em Paris

A suinocultura brasileira ganhou mais um forte aliado no posicionamento frente ao mercado internacional. Nesta quinta-feira (26), a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) oficializou a certificação como área livre de Peste Suína Clássica (PSC) para mais 14 estado brasileiros, além de quatro cidades do estado do Amazonas. A confirmação aconteceu durante a Assembleia Geral da entidade, em Paris, e contou com a presença de uma comitiva brasileira formada por produtores e representantes dos estados de Goiás, Mato Grosso e da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS).

Com isso, os estados do PR, SP, MG, MS, MT, GO, TO, RJ, ES, BA, SE, RO, AC e DF, e os municípios de Guajará, Boca do Acre, sul do município de Canutama e sudoeste do município de Lábrea, no Amazonas, passam a ser oficialmente reconhecidos como livres da doença. No Brasil, apenas os estados do Rio Grande Sul e Santa Catarina possuíam a certificação, conquistada em maio de 2015.

Marcelo Lopes, presidente da ABCS, participou da Assembleia e destacou que a conquista mostra o desenvolvimento da suinocultura brasileira. “Viemos aqui buscar um prêmio para a suinocultura brasileira, pois é isso que essa certificação significa. Importante registar o esforço feito pela ABCS, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), produtores e indústria para que essa conquista fosse concretizada”.

Ainda segundo Lopes, o trabalho agora será voltado para que todo o país esteja, em breve, livre da Peste Suína Clássica. “Temos muito trabalho pela frente. Nosso objetivo é sempre com foco na conquista de novos mercados e de tornar o país completamente livre da doença. Retornando de Paris já vamos iniciar os trabalhos para conquistar a certificação também pelos estados do Norte e Nordeste”, completou.

O diretor do Departamento de Saúde Animal do Mapa, Guilherme Marques, apresentou relatório da Comissão Regional da OIE para as Américas durante a cerimônia e falou sobre a importância desta certificação. “Esse reconhecimento demonstra a competência e eficiência do serviço veterinário dos estados, em especial questão da sanidade suína”, afirma Marques. Ele explica que este reconhecimento é consequência da expertise e competência do processo de erradicação da PSC e frisa a necessidade de manter o trabalho. “Temos a obrigação de demonstrar a cada ano a manutenção desta condição. É um esforço contínuo e deve ser mantido por todos os atores responsáveis”.

O reconhecimento desses estados como áreas livres da Peste Suína Clássica havia sido anunciado pelo Comitê Científico da OIE em fevereiro deste ano. O processo para que uma região seja reconhecida internacionalmente é composto por várias etapas. Inicialmente, cada estado deve cumprir as exigências descritas na NI nº 5/2009 e passar por auditoria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para, caso aprovado, ser indicado ao órgão internacional. Depois, o pleito é avaliado pelo Grupo ad hoc, pelo Comitê Científico e, finalmente, pela Assembleia Geral da OIE.

Entre as exigências do código sanitário de animais terrestres da OIE para que se consiga a certificação estão as notificações de suspeita de doença hemorrágica ou aumento de mortalidade, melhorar barreiras sanitárias fixas, estabelecer corredores sanitários e barreiras volantes como alguns dos requisitos.

O diretor executivo da ABCS, Nilo de Sá, que também participou da Assembleia na OIE, explica o que significa a conquista para o posicionamento da carne suína brasileira no mercado internacional. “A obtenção deste certificado como zona livre evitará que o Brasil tenha restrições futuras para exportação de carne suína. Atualmente os mercados são fazem restrição quanto a esta doença, mas certamente no futuro o farão. Assim, o país precisa se antecipar antes que isso possa comprometer seus principais mercados importadores”.

A Peste Suína Clássica é causada por um vírus e altamente contagiosa, tendo notificação compulsória para a OIE. A doença provoca febre alta, manchas avermelhadas pelo corpo, paralisia nas patas traseiras, dificuldades respiratórias e pode levar à morte do animal.

Desde meados de 2013, a ABCS lidera a discussão e divulga as informações sobre o tema. A associação nacional sediou, em julho daquele ano, um workshop entre técnicos da OIE, FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) e autoridades sanitárias de 22 países da América Latina com o tema “Erradicação da PSC das Américas”.

Na ocasião, foram detalhados os requisitos necessários para o reconhecimento internacional. Já em 2014, a ABCS promoveu um workshop e participou de reuniões para contribuir com as decisões do Mapa sobre o tema bem como para acompanhar a evolução dos estados no cumprimento dos requisitos.

Para a entrega da certificação internacional a ABCS organizou junto ao Mapa, Itamaraty e Câmara de Comércio França Brasil, uma Missão Técnica composta por suinocultores e profissionais dos estados do Mato Grosso e Goiás. Além de prestigiar da Assembleia Geral da OIE, o grupo também participou de reunião com entidades e empresas francesas para conhecer produção Francesa e discutir o tema bem-estar no país, que possui uma das cadeias mais organizadas e eficientes do mundo.

O certificado que foi recebido pelo brasil representa o esforço de 14 estados e agrega os outros dois do ano passado, totalizando 16 estados com esse reconhecimento demonstram a competência e eficiência do serviço veterinário  do estado e em especial questão da sanidade suína. Consequentemente o mundo está reconhecendo a expertise e a competência do processo de erradicação da peste suína clássica, assim como a manutenção dessa área livre baseado na qualidade do serviço veterinário ali instalado. O que tem que ser permanentemente perseguido e demonstrado a cada ano a manutenção dessa condição. É um trabalho contínuo e que deve ser mantido pelos atores responsáveis.

 

 

Fonte: ABCS

Publicado em: 26/05/2016

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