Preço do suíno volta a subir no mercado interno

Segundo o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, apesar de o preço pago ao produtor de suínos estar em alta, é preciso ter atenção quanto às perspectivas relacionadas ao custo de produção

Após período de estabilidade, o preço do suíno vivo voltou a crescer. Em função da aproximação das datas festivas de final de ano, quando tradicionalmente aumenta a demanda por carne suína, a tendência é de que os preços continuem em alta. O aumento também das exportações para a China e a baixa disponibilidade de animais para abate (CEPEA), demonstram a elevação consistente no preço nos últimos meses. Todos estes fatores indicam uma sustentação dos preços pagos aos produtores nos próximos meses.


Gráfico 1. Evolução preço do suíno vivo, em cinco estados (MG, SP, PR, RS e SC), nos últimos 60 dias (até 11/10/19), mostrando alta no início de outubro. Fonte: CEPEA.


Gráfico 2. Evolução preço do suíno vivo, em cinco estados (MG, SP, PR, RS e SC), nos últimos 12 meses (até 11/10/19), mostrando que o segundo semestre tem tendência de alta, principalmente com a manutenção de altos volumes de exportação e a aproximação das datas festivas de final de ano. Fonte: CEPEA.

 


Gráfico 3. Evolução dos preços do boi gordo no estado de São Paulo, nos últimos dois anos, indicando aproximação de valores recorde. Fonte: CEPEA.

Gráfico 4. Evolução dos preços do frango congelado no estado de São Paulo, nos últimos 12 meses, indicando reação em outubro, após 4 meses de queda. Fonte: CEPEA.

Cenário das exportações

A China se aproxima de se tornar o destino de quase metade das exportações de carne suína brasileira. É o que mostram os gráficos a seguir (tabela 3), sendo que no acumulado do ano, o Brasil está muito próximo dos números alcançados em 2017 (tabela 2), quando batemos o recorde de embarques de carne suína in natura.


Tabela 1. Exportações totais de carne suína brasileira in natura (toneladas e receita) de janeiro a setembro de 2019 e comparativo com o mesmo período de 2018. (MDIC).


Tabela 2. Volumes totais de carne suína in natura embarcada de janeiro a setembro de 2019, em comparação com o mesmo período de 2017, quando o Brasil bateu recorde de exportação. O ano de 2019, apesar de se manter ligeiramente à frente de 2017 em volume exportado no acumulado do ano (+0,58%), contou com redução das quantidades nos meses de agosto e setembro. Em valores totais (US$), está 11,9% abaixo de 2017 (MDIC).


Tabela 3. Comparativo mês a mês (até setembro) das exportações de carne suína in natura brasileira para a China em relação ao total exportado ao longo de 2019. Desde o início do ano a China tem aumentado seu percentual de participação, chegando em setembro a 46,35%. (MDIC).


Tabela 4. Comparativo mês a mês (até setembro) das exportações de carne suína in natura brasileira para a China em 2019 em relação ao ano passado. (MDIC).

Considerando todos os produtos, entre in natura e processados, no acumulado de janeiro a setembro, as exportações brasileiras de carne de suína atingiram 524,2 mil toneladas, uma alta de 12,15% em relação ao mesmo período de 2018. As receitas no mesmo período totalizam 1,080 bilhão de dólares, 21,1% a mais que 2018 (dados da ABPA).

Segundo o MBAgro, os exportadores norte-americanos esperam realizar expressivas vendas de carne suína para a China, em função das perdas decorrentes da Peste Suína Africana (PSA). É esperado também que importadores chineses realizem compras expressivas do produto norte-americano como sinal de boa vontade com as negociações bilaterais. A China impôs em julho de 2018 uma tarifa retaliatória de 62% sobre a carne suína norte americana, em virtude do conflito comercial entre os dois países. Além dessa taxa, desde 1º de setembro deste ano, está em vigor uma tarifa adicional de 10% sobre a carne suína norte-americana.

Marcado de grãos: condições climáticas influenciam no aumento do preço do milho

Segundo o CEPA, as negociações envolvendo milho estão lentas no Brasil, mas os preços seguem em alta em todas as praças (gráfico 4). A maior parte dos vendedores está cautelosa, fechando negócios apenas conforme a necessidade. Além disso, os embarques de milho estão em ritmo intenso, o que também reforça a alta nos preços domésticos. Segundo MDIC, as exportações de milho de janeiro a setembro de 2019 totalizaram cerca de 29 milhões de toneladas, 130% a mais que o mesmo período de 2018. Mantido este ritmo o mês de outubro deve ultrapassar os 7 milhões de toneladas exportadas, quase o dobro de outubro do ano passado.

Estes elevados embarques não preocupam quanto ao estoque de passagem no final do ano, porém com previsão de colheita da primeira safra 2019/20 em volumes com cerca de 26 milhões de toneladas, e com as exportações de milho batendo recorde, é provável que os preços no mercado interno continuem em alta. As chuvas nas regiões sudeste e centro-oeste do Brasil ainda não permitiram boas condições de plantio em boa parte do território, o que pode atrasar a primeira safra. Ainda é cedo para afirmar se isto pode ou não colocar em risco (atrasar significativamente) a janela de plantio ideal da segunda safra.


Gráfico 5.  Preço do milho, saca de 60 kg (Campinas-SP), nos últimos 60 dias (até 15/09). Fonte CEPEA

Segundo o IMEA, a comercialização da soja 2019/20 de Mato Grosso atingiu, até o final de setembro, 36% da produção estimada, em ritmo que supera tanto a média das últimas cinco temporadas para o período quanto as vendas do ano anterior. Apesar da redução dos prêmios, o câmbio e o avanço da cotação em Chicago impulsionaram as negociações. A comercialização da safra 2019/20 de milho do Estado, por sua vez, tem ritmo ainda mais adiantado, avançando ao final de setembro para 42% do projetado. (Cepea).

Ainda são esperadas maiores quebras na safra dos EUA, cuja colheita da soja e do milho já começou. O boletim de safras do USDA, informou que até dia 06 de outubro, 14% das lavouras de soja nos EUA foram colhidas. Em igual período do ano passado, a colheita era de 31% e a média dos últimos 5 anos, 34%. As lavouras em condições boas e excelentes ficaram em 53%. A média do ano passado era de 68%. A área colhida de milho avançou para 15%. Em igual período do ano passado, a colheita era de 33% e a média nos últimos 5 anos é de 27%. (MBAgro). Em função do atraso da colheita, as ondas de frio e neve esperadas em outubro em parte da região produtora podem comprometer ainda mais a produtividade nos EUA.

O tempo seco na Argentina, outro grande exportador de milho e soja, pode impactar o rendimento das lavouras de trigo e milho do país. Cerca de um quinto das áreas produtoras está sendo afetada pela ausência de chuvas. A falta de umidade está prejudicando o rendimento das lavouras de trigo e atrasando o plantio do milho, que tem início normalmente em setembro. (MBAgro).

Segundo o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, apesar de o preço pago ao produtor de suínos estar em alta, com boas perspectivas de se manter assim nos próximos meses, é preciso ter atenção quanto às perspectivas relacionadas ao custo de produção. “O custo de produção deve ser considerado em especial no mercado de grãos, tanto nas exportações de milho do Brasil, quanto ao comportamento do clima aqui e nos EUA e Argentina que preocupam no sentido de pressionarem as cotações para cima”.

Ele ainda destacou que a China demonstra uma desaceleração na compra de grãos, em função da redução considerável do rebanho suinícola do país e há ainda a expectativa quanto aos desdobramentos da guerra tarifária entre China e EUA.

Marcelo Lopes também pontuou um fator que deve manter o setor suinícola brasileiro em alerta: o recente surgimento de um foco de PSC (peste suína clássica) em Alagoas. “Além do reforço às medidas de bioseguridade regionais e de cada granja e sistema de produção, é preciso que toda a cadeia, capitaneada pelo MAPA, se mobilize no sentido de colocar em prática o mais rápido possível o plano de erradicação da PSC na região não livre, que prevê o uso de vacina naquela área”, explicou.

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