Queda no preço e aumento dos insumos preocupam suinocultores


Queda no preço e aumento dos insumos preocupam suinocultores

Em uma granja em São Miguel do Iguaçu, no oeste do Paraná, os criadores já começaram a diminuir o número de animais. Foi preciso vender 700 porcos a mais no último mês para tentar reduzir os gastos.

Hoje o quilo da carne vendido a R$ 1,80 não cobre os custos, segundo os produtores, seria preciso receber R$ 2,50 por quilo para não haver prejuízo. Só este mês, a perda na propriedade chega a R$ 64 mil e dois empregados tiveram que ser demitidos.

Dionísio Mohler tem 20 mil animais e 25 funcionários. Ele vende a um frigorífico da região 2500 porcos por mês. Cada animal vendido hoje significa uma perda de R$ 80. Os prejuízos acumulados nos últimos dois meses chegam a R$ 400 mil. Está difícil pensar em uma maneira de pagar as dívidas.

Segundo Dionísio, que também é presidente da Associação dos Suinocultores de São Miguel do Iguaçu, muita gente já pensa em desistir da atividade.

Os frigoríficos da região também sofrem com os reflexos da crise. Em apenas um abate são cerca de 1200 animais por dia, produção de carne que abastece os mercados de vários estados do Centro-Oeste ao Sul do Brasil. Os 230 funcionários continuam trabalhando normalmente, mas a preocupação existe.

A queda de 50% no preço do quilo da carne nos últimos seis meses deixou os diretores em estado de alerta. “O momento é de extrema preocupação, o governo federal deve olhar com outros olhos para que a cadeia consiga sobreviver, caso contrário, a decadência vai ser inevitável”, diz Egídio Valiati, gerente do frigorífico.

O aumento da oferta da carne de suíno no mercado interno, um dos principais motivos da crise, é reflexo do embargo da Rússia e da Ucrânia às exportações brasileiras.

José Elias Zidek, diretor executivo de uma das principais cooperativas do Paraná, que responde por 20% do abate de suínos no estado, explica que a crise na suinocultura é cíclica. Ela acontece de três a quatro vezes em média em um período de 10 anos. A origem das crises quase sempre vem das exportações, que alegam problemas sanitários, ou por barreiras comerciais. Para Zidek, desta vez, outros fatores internos estão associados.

 

Fonte: Globo Rural

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