Palestra médica sobre as qualidades nutricionais da carne suína reúne profissionais do setor na SuperAgro2010, em Minas

 

Palestra médica sobre as qualidades nutricionais da carne suína reúne profissionais do setor na SuperAgro2010, em Minas

Para um público de cerca de 50 pessoas, em sua maioria médicos, Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (ASEMG), organizou, ontem, durante a SuperAgro 2010,uma palestra do Professor Arnaldo Ganc, gastroenterologista-chefe do departamento de endoscopia do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo. Diversos médicos vieram de municípios do interior do estado, como Poços de Caldas e Sete Lagoas, exclusivamente para assistir à fala do Dr. Ganc.

 Como parte das ações do Projeto Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (PNDS), a palestra abordou as principais causas do preconceito da carne suína. Ganc dividiu a explicação para esse conceito arraigado na população contra a carne suína em cinco tópicos diferentes: misticismo e religião; estereótipo histórico; a histeria do colesterol; mudanças no padrão de beleza; e erro médico. Ao longo da apresentação, o gastroenterologista fez explanações sobre cada um dos temas, desde os tempos de Maomé em que a carne suína era considerada “imunda” até os complexos anoréxicos contemporâneos, definidos como padrão de beleza.

Segundo Ganc, a carne suína está associada a diversas situações do cotidiano. “Culturalmente a palavra “porco” é referencia à sujeira, se remetendo à uma forma de produção vigente há mais de 50 anos atrás, na qual os animais eram criados em quintais e alimentados com restos de comida”, disse. Esse é o sentido de as pessoas usarem os termos “come como um porco” ou “você é um porco”, relacionando a ação do sujeito com a imundice”, conta do médico. Ele aponta ainda relação entre o animal e fartura, que o associa consequentemente à gordura.

Ainda dentro dos tópicos principais do preconceito, o palestrante abordou a “histeria do colesterol” como um grande vilão. Ganc explica que nos últimos anos vem baixando os índices desejáveis da substância no organismo e que muitas vezes, no imaginário popular, o colesterol é relacionado diretamente com a gordura. “O que poucos sabem é que a produção de colesterol tem 80% de componentes genéticos e apenas 20% de componentes alimentares”.

Para o médico, um dos mais renomados gastroenterologistas brasileiros, pode-se diagnosticar obesos mórbidos com colesterol baixo e pacientes magros com colesterol bastante alto. “No Brasil, por exemplo, houve queda no consumo de carne suína e aumento no colesterol”, ressalvando, porém, não haver pesquisa sobre esta relação de causa e efeito.

Ganc apresentou durante a palestra pesquisas feitas pela professora e pesquisadora da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, Dra. Neura Bragagnolo, segundo as quais os níveis de colesterol na carne suína não justificam toda a campanha negativa que se faz contra o produto. “Tem gente esquecendo que o colesterol é um elemento indispensável ao bom funcionamento do organismo”, disse o Professor, referindo-se ao que ele considera uma verdadeira histeria que relaciona relacionando o colesterol às doenças cardiovasculares. Arnaldo Ganc destacou ainda que a carne suína é uma importante fonte de proteínas e vitaminas do complexo B e é composta por 75% de água, 20% de proteína e apenas 4% de gordura”.

Complexo Teníase-Cisticercose
Para encerrar, o gastroenterologista discorreu sobre o Complexo Teníase-Cisticercose, desmistificando a crença de que carne suína é responsável direta pela doença. “O que precisa ficar claro é que nessa doença quem contamina o animal é o homem e não contrário, pois é o ser humano que deposita os ovos para contaminação, que somente acontece pela ingestão de alimentos (verdura, frutas e água) contaminados com fezes humanas. Ou seja, a cisticercose não é transmitida pelo animal, seja bovino ou suíno. Nesse sentido, a doença está relacionada a questões sociais, culturais e sanitárias, tendo o homem como sua única forma de contaminação”.

Na sessão de perguntas, Ganc explicou aos médicos que a criação de suínos moderna e tecnificada na prática elimina a possibilidade de que os consumidores da carne proveniente dessa forma de produção possam contrair “nem mesmo a teníase”, já que neste caso não existe a possibilidade dos animais ingerirem fezes humanas, fato que dá início ao ciclo de contaminação.

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