Notícias

Fale com a comunicação da ABCS

Voltar Publicado em: segunda-feira, 16 de novembro de 2020, 11h56

ABCS encerra as séries de Webinars com um último evento sobre o cenário econômico para o Agro brasileiro em 2021

Para traçar um panorama completo entre o mercado deste ano e as previsões para o ano que vem, a Associação recebeu o Doutor em economia aplicada e sócio consultor da MB Agro, Alexandre Mendonça de Barros 

A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) promoveu na quinta-feira, dia 11/11, o último webinar da série técnica realizado no ano de 2020. Desde junho a entidade vem realizando eventos com o objetivo de levar informação de qualidade, capacitação e promover o debate na cadeia suinícola, levantando temas de relevância como doenças de importância na suinocultura, bem-estar animal, uso de antibióticos, prevenção ao Covid-19, manejo de suídeos asselvajados, entre outros. Assim como conta a Diretora Técnica da ABCS, Charli Ludtke, “foram séries muito proveitosas, todas com alta qualidade de conteúdo, com profissionais de excelência nos assuntos abordados, contamos com 13 webinars, mais de 7 mil profissionais conectados conosco, participantes de mais de 17 países e uma média de 400 visualizações no YouTube pós evento.” 

Para encerrar da melhor maneira possível, a ABCS mais uma vez em parceria com a 333 Brasil, convidou o engenheiro agrônomo, Doutor em economia aplicada, sócio consultor da MB Agro Consultoria e professor associado da Fundação Dom Cabral, Alexandre Mendonça de Barros. O especialista falou sobre o panorama econômico de 2020 e comentou o cenário esperado para o ano de 2021, abordando os desafios e perspectivas para a cadeia de carnes e grãos, assim como os impactos econômicos e as oportunidades para o Agro brasileiro. Mendonça abriu a apresentação falando sobre a conjuntura de 2020, que mundialmente foi um ano de redução de PIB, mas que não afetou o Brasil em maior escala em decorrência de uma série de medidas internas e de transferência de renda, e que a expectativa é que tenhamos uma queda de 5,4% no PIB brasileiro. 

Cenário em 2020 

Para ele o impacto no mercado de carnes foi forte por conta da pandemia. “Os food services permaneceram fechados ocasionando uma redução no consumo das proteínas, porém, houve um crescimento no varejo em decorrência do aumento do consumo dentro de casa. Fora isso tivemos fatores mundiais como a crise de Peste Suína Africana (PSA) na China, que fez com que o país absorvesse boa parte do excesso de produção de carne vermelha disponível no mercado, em especial a carne suína, causando também um impacto econômico. No Brasil o cenário também foi de alta devido ao aumento de exportações e do auxílio emergencial.”

Ele falou também sobre o aumento no preço dos grãos, que atingiram valores históricos este ano. “Houve uma migração dos Fundos para a compra de commodities, causando um aumento no valor de produtos agrícolas em dólar.” Na opinião dele os preços não devem baixar no ano que vem, podendo inclusive haver um aumento no valor das carnes e do leite em decorrência do aumento contínuo nos preços dos grãos que impactam os custos de todas as produções de origem animal. Mendonça explica também um fenômeno identificado este ano em relação a perda de força do real frente ao dólar. “O real foi perdendo força frente ao dólar desde o início da pandemia e continua perdendo força. Alguns aspectos explicam essa anomalia: a menor taxa de juros dos últimos anos do Brasil, em torno de 2% que desmotivou investidores de fora para investir no país. O aumento na inflação que causou muito impacto e os números ruins apresentados pelo Governo que causam desconfiança no mercado.” 

Retomada chinesa  

Se por um lado as baixas no rebanho de suínos chinês causadas pela PSA aumentaram a importação de carnes, a recuperação desse plantel também trará impactos. Mendonça explica que “o mundo todo está de olho na recuperação de suínos chinesa para saber qual será a oferta de carne no mercado futuro. Em 2018 o rebanho caiu drasticamente, mas vem retomando seu crescimento e consequentemente absorvendo muito mais ração e desequilibrando o mercado de grãos. Antes o país com uma suinocultura não tecnificada consumia pouca ração, hoje com o melhoramento da produção esse consumo vai aumentar em níveis sem precedentes.” 

Milho e soja 

O especialista chama atenção para a probabilidade de que 2021 marque uma mudança no mercado mundial de grãos, causada pela expansão da demanda chinesa. Ele faz um alerta também sobre as mudanças climáticas esperadas no ano que vem, como os fenômenos El Niño que afeta a América do Norte e o La Niña que afeta a América do Sul. Causando diversos impactos na agricultura, aumentando o risco de quebra de safras em decorrência do aumento e da diminuição de chuvas em diferentes regiões, principalmente no Sul e no Centro-Oeste brasileiro. Mendonça comentou sobre os investimentos na tecnificação da agricultura nacional, “os agricultores não podem ficar contando com as chuvas e precisam investir em sistemas de irrigação. Isso daria uma maior estabilidade para o mercado de grãos e de carnes.” Ele explicou também os motivos que levaram a alta do milho no Brasil, “o milho aumentou pela queda do real, que baixou os custos de compra e os custos logísticos de transporte. Aproveitando os baixos preços os chineses comparam as safras de 2020, de 2021 e boa parte da de 2022. Em decorrência disso, em 3 meses os grãos atingiram preços históricos dentro do país.” 

Carne Suína  

Em relação a carne suína, o cenário de 2020 foi marcado por aumentos: aumento nas exportações, aumento da produção, aumento nos custos de produção e aumento também nos preços da carne. Já para o ano que vem, Mendonça prevê uma diminuição na oferta de carne bovina disponível, já que o abate de bovinos deve cair em decorrência da retenção de fêmeas para a procriação, já que os bezerros estão com valores elevados, causando assim um aumento no preço da carne que só deve estabilizar em 2022 quando a oferta de carne for maior. Impactos econômicos que devem também abrir espaço para a competitividade da carne suína no mercado. 

Para uma discussão mais aprofundada veja o vídeo completo: