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Voltar Publicado em: segunda-feira, 29 de março de 2021, 3h03

Impactos do atual cenário no varejo alimentício e as oportunidades para as proteínas

Veja como andam as vendas, quais tendências o setor está seguindo e como isso afeta os produtores  

É fundamental para qualquer segmento produtivo estar em consonância com o setor varejista, que é a ponte que leva o produto até o consumidor. A ABCS por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (FNDS), é uma associação que trabalha fortemente esse vínculo, mantendo um contato próximo com as maiores redes de varejo do Brasil, unindo assim a cadeia suinícola aos anseios dos consumidores através de ações estratégicas, como a Semana Nacional da Carne Suína (SNCS), que ocorre anualmente.  Por isso conseguiu acompanhar de perto os grandes impactos que o setor sofreu e as mudanças que implementou para se adaptar ao atual momento. O movimento do comércio online foi uma delas, o e-commerce foi uma revolução iniciada no início da pandemia de Covid-19 ainda em 2020, que segue fortalecido.

Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o aumento de vendas no comércio eletrônico foi de 68% no ano passado. Por outro lado, o mercado sofreu grandes perdas e continua abalado, isso se reflete na queda do índice de confiança do consumidor e do comércio, que registrou em março de 2021 os piores índices desde maio de 2020. O mês de março deste ano tem sido marcado pela retomada de medidas restritivas e o crescimento nos números referentes ao novo coronavírus no Brasil, piorando a percepção dos consumidores em relação ao momento e reduzindo as expectativas para o futuro próximo. Neste cenário os consumidores acabam projetando uma situação difícil para as finanças familiares nos próximos meses, aumentando assim a cautela na hora de comprar. 

Soma-se a isso, ao aumento da cesta básica que ficou 25% mais cara segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e tem-se uma análise completa do clima atual, permeado por incertezas econômicas que alimentam uma antiga tendência de consumo: a busca por menores preços, a migração para marcas mais baratas, embalagens mais acessíveis e produtos de marca própria. Esse movimento que se acentuou com o fim do auxílio emergencial acabou impulsionando as compras no varejo e atacarejo (hoje o atacarejo é responsável por 36% das vendas de alimentos no país). Segundo a Nielsen em fevereiro deste ano, as vendas no atacarejo cresceram em 26% em relação ao ano anterior, e a Abras aponta um aumento de 12% nas vendas no varejo alimentício em janeiro de 2021. Um levantamento da consultoria Bain & Company, feito com dois mil brasileiros em julho de 2021, mostrou que 25% deles estavam migrando para produtos mais baratos e aproximadamente 18% afirmaram ter comprado tamanhos mais econômicos. 

Por outro lado, a volta do auxílio emergencial pago pelo governo federal deve beneficiar mais de 45 milhões de pessoas, além disso um terço dos estados e 8 das 26 capitais do país também anunciaram programas de transferência de renda que juntos devem ultrapassar a injeção de R$ 44 bilhões de reais. A expectativa é que esse dinheiro extra seja investido em alimentação, assim como no ano passado, quando o auxílio aumentou em 8% na compra de alimentos pelas famílias da classe D e E, segundo a consultoria Kantar. Além disso, a maior permanência das pessoas em casa em função do isolamento social e as restrições do food service devem continuar impactando as vendas no varejo. No ano passado, esse cenário beneficiou significativamente o varejo alimentício. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), a indústria brasileira de alimentos e bebidas registrou crescimento de 12,8% em faturamento no ano de 2020, em relação a 2019, atingindo R$ 789,2 bilhões, somando exportações e vendas para o mercado interno.  

Toda essa situação impacta diretamente a cadeia da suinocultura. O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que o aumento do número de vendas no varejo, significa aumento de consumo e aumento de vendas para os frigoríficos e produtores. “Significa também que o nosso produto ganha não apenas em vendas, mas em competitividade e preferência. Já vimos de acordo com dados anteriores que o consumo de carne suína per capita cresceu e já chega a quase 17% e que as vendas da proteína no varejo subiram em 80%. Está claro que apesar das adversidades soubemos aproveitar o cenário do mercado interno e externo desde o ano passado quando também batemos recorde de exportação. O momento se mostra difícil por inúmeros fatores, mas temos também que continuar trabalhando para identificar e aproveitar oportunidades.”