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Voltar Publicado em: quinta-feira, 22 de abril de 2021, 10h23

MAPA e ADEAL anunciam que a vacinação em Alagoas contra Peste Suína Clássica começa em maio

A ABCS foi uma das protagonistas na elaboração do projeto de vacinação em Alagoas, junto a coordenação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Erradicar e combater a Peste Suína Clássica (PSC) na Zona Não Livre (ZnL) é prioridade para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS). Será por meio do Projeto Piloto em Alagoas (AL), lançado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e a Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas (ADEAL), que será realizada a vacinação dos suínos do local. O projeto “Plano para Erradicação da Peste Suína Clássica no Estado de Alagoas” tem como objetivo vacinar todo o rebanho de suínos do estado, com a campanha ocorrendo de forma semestral em duas etapas e com duração de 30 dias.

O Projeto Piloto em AL é um braço do Plano Brasil Livre de Peste Suína Clássica (PSC) que foi lançado em 2019 e visa a implantação de um programa estruturado de médio a longo prazo para a erradicação de PSC em toda a ZnL. Como uma política pública de saúde animal, com a publicação do Plano Nacional, se verificou a necessidade de identificar as limitações e ajustes necessários para viabilizar a implementação da vacinação e reduzir os riscos na execução do Plano. Assim, o estado de Alagoas foi identificado para implementação de um projeto piloto, pelo tamanho do rebanho e de sua área geográfica, além de ser um estado que faz divisa entre as Zonas Livres e Zona não Livres de PSC.

Segundo o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, toda a elaboração do Piloto contou com a colaboração da equipe da ABCS, realizado sob a coordenação da Diretora Técnica da ABCS, Charli Ludtke. Lopes reforça que o trabalho foi extremamente orquestrado e que começará por Alagoas com intuito de se tornar um piloto, um modelo para os outros estados da ZnL. “Devido a ampla área geográfica da zona não livre, que abrange diferentes realidades socioeconômicas e ambientais e por isso mostrou-se necessário uma mobilização regionalizada para, assim, atuar em estratégias e ações mais assertivas nos demais estados”, ponderou.

A execução do projeto piloto é uma responsabilidade público-privada compartilhada entre o MAPA, pela Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas (Adeal) e pela parceria com a ABCS, a Associação Brasileira das Empresas de Genética de Suínos (ABEGS), a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), contando com apoio do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), do Fórum Nacional dos Executores de Sanidade Animal (Fonesa) e da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), além do apoio da Zoetis Indústria de Produtos Veterinários e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

União do setor: afiliadas da ABCS disponibilizam recurso financeiro para executar o Projeto em Alagoas (AL)

Como forma de apoiar e auxiliar esse piloto, a ABCS juntamente com as suas filiadas estaduais doaram R$ 300 mil reais. O recurso será destinado a contratação das equipes de vacinação e também para aquisição de insumos.  O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, reforça que a união entre o poder público e a iniciativa privada busca envolver todos os elos da cadeia suinícola para viabilizar um programa de longo prazo e erradicar a PSC na ZnL. “Quando tratamos de uma parceria público-privada, estamos diante de um projeto que conta com uma participação conjunta dos setores, envolvendo recursos em prol de interesses coletivos, visando a estruturação de uma importante política pública para o aprimoramento da suinocultura nacional”.  Lopes ressalta ainda que, além do recurso da ABCS, o plano de vacinação em AL contou também com aporte financeiro da ABPA, no montante de R$ 1 milhão, além da contratação de um profissional como Gestor do projeto para gerenciar a vacinação.

Vacinação em Alagoas

Alagoas possui 102 municípios, destes, 98 possuem cadastro de propriedades com suínos. Conforme os dados disponibilizados pela ADEAL, o estado possui aproximadamente 88,6 mil suínos, distribuídos em 6,1 mil propriedades. A população de suínos está localizada principalmente na mesorregião Agreste, seguida do Sertão e, por fim, do Leste. A vacina, instituída como obrigatória pela Portaria nº 307/ADEAL, de 16 de abril de 2021, será realizada de forma simultânea nas três mesorregiões, com o objetivo de vacinar todo o rebanho do estado no prazo de 30 dias, com a data limite de 21/06 quando vence o lote de vacinas.

As vacinas, de nome comercial PestVac, fabricadas pela empresa Zoetis, foram doadas para a campanha. A empresa disponibilizou ao projeto um total de 400 mil doses, o que é suficiente para atender às duas fases pretendias para esse primeiro momento da campanha de vacinação.  “Essa doação será suficiente para atender as 2 campanhas do Projeto Piloto de Alagoas no ano de 2021 e com isso o produtor de suíno do estado não terá que comprar o insumo”, explica o médico veterinário e auditor fiscal agropecuário do Departamento de Saúde Animal do MAPA, Guilherme Takeda.

 De acordo com Diretora Técnica da ABCS, Charli Ludtke, a vacinação se dará tanto por meio das equipes de vacinadores quanto de forma individual. As equipes de vacinadores, cuja contratação será custeada por meio da iniciativa privada (ABCS e ABPA) e apoiada pelo IICA, irão vacinar os rebanhos de suínos dos produtores de subsistência. Já para produtores de granjas tecnificadas, estes poderão adquirir a vacina nas 28 revendas do estado, apresentando, posteriormente devida documentação de confirmação da vacinação. Além do trabalho de vacinação, o trabalho do Serviço Veterinário Oficial (SVO) será essencial para efetivar o piloto em AL.

Ludtke explica que: “A atuação do SVO auxiliará no monitoramento e controle dos animais vacinados. Para isso, será fundamental que os produtores apresentem a declaração de vacinação nos escritórios das ULSAVs/ADEAL, nos Escritórios de apoio municipal – EACs ou em outros pontos de apoio indicados pela ADEAL”. Ela explica ainda que as declarações irão contar com os dados do produtor (CPF, RG), a comprovação da aquisição da vacina e da vacinação dos rebanhos. “Esses dados alimentarão o SIDAGRO, sistema virtual utilizado como banco de dados para o controle e monitoramento do rebanho suíno do estado pelo SVO e que será acompanhado diretamente pela ADEAL através de ações de vigilância e fiscalização. Além da vacinação o plano traz também ações de educação sanitária que estão sendo elaboradas pelo sistema CNA/SENAR.”

PSC na ZnL

A região caracterizada por ZnL de PSC, inclui 11 UF (Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Amapá, Amazonas, Roraima e Pará), que juntos representam cerca de 50% do território brasileiro, detentora de aproximadamente 18% do rebanho suíno nacional, distribuído em mais de 300 mil estabelecimentos rurais, predominantemente de pequenos produtores familiares.

Apesar do princípio de zonificação que divide o território nacional (Zona Livre e a Zona não Livre), nos últimos 2 anos ocorreram mais de 70 focos da PSC, atingindo cerca de 7 mil suínos na ZnL, e com isso, o SVO teve que sacrificar os suínos envolvidos para conter a disseminação viral.  Charli Ludtke explica que a vacinação contra a PSC é eficaz e interrompe o ciclo de transmissão viral, ou seja, torna os suínos resistentes ao vírus. Ela reitera que: “Erradicar a PSC é resguardar a saúde e a proteção de todo o rebanho nacional, assim como o crescimento, e a estruturação da suinocultura na região envolvida, que representa um importante mercado consumidor.”

Mercados internacionais e a PSC

Para o Presidente da ABCS, Marcelo Lopes, combater a PSC no país também contribuirá para melhoria da imagem e melhor acesso a mercados internacionais, considerando tratar-se de uma doença erradicada em diversos países, e entre os principais exportadores de carne suína.  Ele explica que a doença traz sérios problemas sanitários e socioeconômicos para a suinocultura nacional. “Executar o piloto em AL, sem dúvida é um grande passo que a suinocultura nacional está dando, tendo em vista que contribuirá para prevenir prejuízos relacionados a perdas diretas e às restrições de acesso a mercados internacionais.”