Pneumonia Enzoótica

Introdução 

A pneumonia enzoótica suína é uma doença altamente contagiosa, de distribuição cosmopolita, caracterizada por alta morbidade, baixa mortalidade, tosse crônica e retardo do crescimento (Oboegbulen, 1981). Tem como agente etiológico o Mycoplasma hyopneumoniae encontrado na mucosa respiratória, aderido ao epitélio ciliado da traquéia, brônquios e bronquíolos (Stevenson, 1998). A transmissão do agente pode ocorrer pelo contato direto das secreções respiratórias do suíno portador ou por aerossóis, a partir de animais infectados em um rebanho livre (Stevenson, 1998).

Segundo Kahane e Razin (1969), os principais determinantes antigênicos dos micoplasmas estão localizados na membrana. Messier e Ross (1991) evidenciaram que esses microrganismos possuem fatores mitogênicos para linfócitos, os quais seriam responsáveis pelas hiperplasia linfóide peribronquiolar característica da doença. Os micoplasmas são considerados super-antígenos (Mims et al., 1995), capazes de estimular excessivo número de células T pela exposição de vários epitopos simultaneamente. Escapa das defesas naturais do hospedeiro fixando-se firmemente à sua mucosa respiratória (Yamamoto, 1994), podendo sua localização no lúmen explicar a dificuldade de eliminação do agente. Além disso, o micoplasma tem a habilidade de mimetizar várias superfícies antigênicas e utilizar-se dessa variação para evadir-se do sistema imune (Done, 1996).

O micoplasma se dissemina rapidamente sob condições ambientais favoráveis em suínos na fase de crescimento e terminação. Práticas inadequadas de manejo, incluindo alta densidade, falta de higiene das instalações e fatores ambientais associados, como ventilação inadequada, podem aumentar a concentração de contaminantes aéreos, o que potencializa os impactos da pneumonia suína. A doença está disseminada nas criações brasileiras (Moreno et al., 1999).

Diante da natureza, da especificidade e da complexidade de fatores envolvidos com essa patologia, o diagnóstico rápido e preciso da pneumonia enzoótica, e sobretudo do(s) agente(s) etiológico(s) envolvido(s), é imperativo (Le Potier et al., 1994). Graças às características singulares dessa enfermidade, o diagnóstico presuntivo pode ser realizado pela conjunção dos sinais clínicos e dos aspectos macroscópicos e microscópicos das lesões (Ahrens, Friis, 1991; Ross, Stemke, 1995; Done, 1996). Todavia, esse procedimento possui uma parcela de subjetividade e de imprecisão, sendo necessários exames complementares para a confirmação do diagnóstico. A fim de se evitar diagnóstico inconclusivo e controverso sobre a etiologia do processo, muitas vezes o cultivo e o isolamento do agente tornam-se necessários. No entanto, por se tratar de um microrganismo de caráter fastidioso, de crescimento lento e que requer meio seletivo, complexo e de alto custo para o seu crescimento, as técnicas para seu isolamento não são rotineiramente utilizadas (Hurnik et al., 1993). Além disso, a utilização de antibióticos e outros quimioterápicos na alimentação pode também mascarar e comprometer os resultados desse procedimento microbiológico.  

Epidemiologia 

O suíno parece ser o único hospedeiro do Mycoplasma hyopneumoniae, sendo portanto, a fonte mais importante de infecção. A infecção restringe-se ao sistema respiratório e o agente não sobrevive por mais de 12 horas fora do mesmo. A transmissão ocorre por contato direto com as secreções do aparelho respiratório e através de aerossóis, eliminados durante os acessos de tosse. A fonte de infecção mais importante é a porca que transmite a doença à sua leitegada, logo após o nascimento, embora esses leitões, quando misturados com outros, no desmame ou no início do crescimento, também transmitem a doença. A transmissão passiva da infecção pode ocorrer com utensílios usados nas granjas infectadas ou mesmo outros veículos. Suínos de todas as idades são susceptíveis à doença, porém os mais velhos desenvolvem certa imunidade. Assim, a forma clínica da doença é mais comum nos animais em crescimento e terminação, mas em rebanhos sem imunidade, a doença pode afetar leitões já a partir de duas semanas de idade, bem como em animais em fase de reprodução.

 

A taxa de morbidade atinge seu nível mais elevado entre quatro a seis meses de idade, declinando em seguida. A taxa de morbidade pode chegar a, no máximo, 5%. As leitoas nulíparas se infectam e permanecem portadoras com maior frequência que as adultas.

A transmissão por aerossóis, em clima frio e úmido, pode ocorrer a distâncias de até 3,5 Km entre granjas com mais de 500 suínos.  

Sinais Clínicos

• tosse seca e crônica;
• corrimento nasal mucoso;
• animais com pouco desenvolvimento;
• pêlos arrepiados e sem brilho;
• desuniformidade de peso entre leitões da mesma idade.       

O quadro clínico geral do rebanho é influenciado pela presença de outras infecções respiratórias e pelos fatores de risco existentes no rebanho. 

Aspecto das lesões no Pulmão causadas por M. hyopneumoniae. 

Controle

É praticamente impossível eliminar a infecção por Mycoplasma hypnominiae de um rebanho, mas pode-se conviver com a doença, reduzindo sua gravidade a níveis economicamente satisfatórios, pela aplicação de medidas terapêuticas, imunoprofiláticas e, principalmente, pela correção dos fatores de risco. Antes de recomendar qualquer medida de controle, é importante conhecer a gravidade da doença no rebanho, através do exame de lotes de suínos no matadouro.

 

 

 

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