Meningite por Streptococcus suis

Esta doença foi diagnosticada no Brasil em 1980 e atualmente atinge de forma enzoótica a maioria das granjas tecnificadas. Em 2001, houve uma classificação sorológica das amostras de Streptococcus suis isoladas de casos clínicos de rebanhos brasileiros e os mais prevalentes foram os sorotipos 2, 1 e 13, mas um expressivo número de amostras isoladas não foram sorotipadas com os sorotipos conhecidos. É importante salientar o potencial existente, embora raro, do S.suis afetar seres humanos que trabalham com suínos, tanto na produção como no abate de suínos infectados.

A meningite estreptocócica dos suínos é uma doença emergente na suinocultura industrializada, sendo causada pelo Streptococcus suis, produzindo quadros de septicemia, artrite e meningite nos animais. A infecção pelo S. suis tem sido considerada como uma das doenças de maior incidência na industria de suínos, particularmente nos últimos 10 anos.

O S. suis é classificado atualmente em 35 sorotipos diferentes, do 1 ao 34 e o 1/2. No Brasil, em estudos da distribuição dos sorotipos dessa bactéria em suínos clinicamente doentes, o sorotipo 2 foi o mais prevalente com 62,7% dos isolados, seguido pelo sorotipo 1 com 7,5%.

A doença apresenta maior incidência em rebanhos de produção intensiva com altas densidades de animais. Granjas com condições sanitárias inadequadas e doenças concomitantes apresentam maior taxa de infecção. Normalmente, a introdução do agente em rebanhos livres ocorre através de animais portadores assintomáticos, na maioria das vezes pela aquisição de reprodutores.

No Brasil, as faixas etárias mais comumente atingidas são animais de 50 a 90 dias. Entretanto, essa idade pode ser menor em casos de granjas com baixa taxa de uso de antibióticos nas rações de creche. As taxas de morbidade variam de menos de 1% até mais de 50%, mas raramente são maiores que 5%. Entretanto, os animais que ficam doentes, se não tratados rapidamente, têm alta probabilidade de morte.  O risco da doença pode ser minimizado mantendo ventilação adequada, evitando mistura de animais e movimentação excessiva, ou qualquer outro fator que cause estresse.

Apesar da baixa morbidade, as perdas econômicas devido ao S. suis são muito expressivas, sendo estimadas em centenas de milhões de dólares por ano e medidas convencionais de controle têm mostrado resultados não satisfatórios. Até pouco tempo, o método mais efetivo de limitar as perdas econômicas era o tratamento de animais doentes com antibióticos na ração ou água, fornecidos em períodos de maior probabilidade de ocorrência de surtos, sendo que em rebanhos grandes o controle da meningite podia ser difícil e muito caro. Além disso, os antibióticos estão se tornando menos efetivos no controle da doença devido ao aumento da resistência dos isolados de S. suis e seu uso é pouco aceito pelos consumidores devido aos resíduos dos antimicrobianos na carcaça, principalmente quando se visa a exportação da carne.

Durante a última década, a indústria suína em todo o mundo tem direcionado seus esforços para produzir rebanhos com mínimo de doenças. Para isso, tem lançado mão de várias técnicas como antibioticoterapia, desmame precoce medicado e, principalmente, vacinação. Desta forma, vem conseguindo eliminar ou controlar algumas das doenças de grande impacto econômico. Em relação à meningite estreptocóccica, até recentemente, o controle tem sido feito quase que exclusivamente com uso de antibioticoterapias. Vários pesquisadores em diversos países têm concentrado esforços para produção de uma vacina eficiente contra a doença, mas até o momento os resultados apresentados em relação à proteção são insatisfatórios. O único modo de granjas contaminadas pelo S. suis suspenderem o uso dos antibióticos na ração ou água sem perdas econômicas seria o uso de vacinas que proporcionem altos níveis de anticorpos contra o agente nos animais.

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