A História da ABCS

A vitoriosa campanha “O Petróleo é Nosso”, a Companhia Siderúrgica Nacionala funcionando a todo vapor e o Plano Marshall apresentando os resultados de reconstrução da Europa. A economia mundial trabalhava em ritmo frenético. Para os brasileiros, o ano de 1955 simbolizava a consolidação do processo democrático. A seu estilo, é claro. Em novembro, o Marechal Henrique de Teixeira Lott patrocina o “golpe preventivo”, para garantir a posse de Juscelino Kubitscheck de Oliveira e de seu Vice, João Goulart, que se transformaria em realidade dois meses depois. O discurso desenvolvimentista de Juscelino durante a campanha contaminara o país. Enquanto isso, no dia 13 do mesmo mês de novembro, na pacata cidade de Estrela, no norte do Rio Grande do Sul, 48 suinocultores se reúnem para tomar uma decisão corajosa, estritamente relacionada com a forma e o tamanho alcançado hoje pela suinocultura brasileira. O melhoramento genético deixara de ser uma opção. Era uma questão de sobrevivência. Eles decidem, então, fundar a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS).

O mesmo Brasil que fizera uma clara opção pelo desenvolvimento dava ao mesmo tempo sinasi de que não queria mais o porco-banha. O país acabava de ser apresentado ao óleo vegetal, introduzido por companhias multinacionais. Junto com ele, uma campanha insidiosa, destinada a reverter um hábito sólido, arraigado na cultura do povo brasileiro: praticamente em tudo o que se fazia na cozinha usava-se banha de porco. E a banha passou a ser associada a vários problema da saúde humana. Os suinocultores perceberam que  a mensagem clara do mercado exigia mudança de rumos. O único caminho possível era o melhoramento genético. Era preciso construir um novo animal. Tinha inicio a era do “suíno”.

Até então, o “porco” era abatido aos seis meses de idade, com 50% de banha no aproveitamento final. O animal era criado cercados em “mangueirões”. Os produtores eram chamados de “safristas” – ao final da safra de milho, eles soltavam os animais para que estes se alimentassem dos restos da lavoura. Depois desse período extensivo, os porcos eram novamente fechados nos “mangueirões”, onde a engorda era finalizada e de onde seguiam para o abate. Problemas sanitários, baixa produtividade, preços baixos, essa era a realidade que predominava na suinocultura brasileira, concentrada no sul do país. O Vale do Taquari reunia o melhor da suinocultura brasileira de então. 

Em Estrela, um dos maiores entusiastas do novo momento era o Prefeito Adão Henrique Fett, também criador. Dois outros nomes foram responsáveis pela articulação política que garantiram o reconhecimento federal da Associação recém criada: Raul Paixão Cortes, veterinário da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do sul; e o juscelinista João Lino Braun, Deputado Federal, natural de Estrela.

O primeiro presidente da ABCS foi Reinaldo Afonso Augustin. É dele a idéia do convênio que acabou sendo assinado em 1958, entre a ABCS e o Ministério da Agricultura, através do qual a entidade passou a ser responsável pela operação do registro genealógico dos suínos. Uma base indispensável para o trabalho de melhoramento do plantel que estava apenas começando. É nessa época que os primeiros animais de alta linhagem começam a chegar dos Estados Unidos e da Argentina. José Adão Braun, Presidente da entidade entre 1999 e 2005, foi também o primeiro funcionário do registro genealógico da ABCS. Braun se recorda com clareza do primeiro suíno que registrou: “um Wessex, raça inglesa, chamado Jubar Bandeira 1, pertencente à propriedade de Heraldo Walter”. Nesta fase inicial, a grande maioria dos animais, no entanto, era da raça Duroc, e vinham dos Estados Unidos e da Argentina. Somente num segundo momento, já no começo dos anos 60, os suinocultores brasileiros começaram a importar as raças Landrace e Large White, provenientes da Europa.

Além do registro genealógico, a ABCS passou a fazer provas zootécnicas e estimular a realização de exposições de animais. As granjas do Rio Grande do Sul passaram a distribuir reprodutores por todo o país. A introdução da ração balanceada contribuiu decisivamente para mudar a estrutura do suíno produzido no Brasil. A idade do abate foi sendo reduzida sistematicamente, ao mesmo tempo em que registrava-se a melhoria na taxa de conversão e no ganho de peso. Empresas norte-americanas e européias chegaram ao país nos anos 70 oferecendo o melhor material genético disponível no mercado internacional. Junto com elas vieram melhorias nas técnicas de manejo, nas instalações e nos cuidados sanitários.


OS 48 FUNDADORES

Em 13 de novembro de 1955, no auditório da Assembléia Legislativa de Estrela, 48 sócios subscreveram a ata de fundação da ABCS: Adão H. Fett, Adolfo Faller, Alcides Bueno, Antônio Cherubini, Arlindo Rudy Arenhart, Armando Becker, Arnaldo Diel, Arnaldo Rucker, Arthur Krindges, Aquilino Wirti, Augusto Driemeyer, Aury Ruben Moerschbaecher, Balduino Vier, Breno Scheibler, Edmundo Sinésius Sulsbach, Eduardo Reiter, Ermindo Lohmann, Evaldo Hilgemann, Evaldo Walter, Fermino Bertoldi, Fernando Sabaia Carneiro Leão, Fritholdo Gastmann, Frederico Hermann, Genuíno R. Pretto, João Carlos Athaide, João José Horn, Leandro Lampert, Leopoldo Lagemann, Luiz Carlos Pinheiro Machado, Luiz Germano Júnior, Mário Backes, Miguel Ruschel, Milton M. Quintana, Osvaldo Müller, Osvaldo Reiter, Paulo Adão Casanova, Afonso Augustin, Renato Alvez de Oliveira,Romeu A. Horn, Rudi Lackus, Rui Souza Paixão Cortes, Siegfreed Rucker,Sídio Pretto, Theobaldo Keffer, Tranquilo Damo, Waldemar de Carvalho e Silva, Waldemar Miranda de Oliveira e Wilibaldo Erthal.

O mesmo crescimento e modernização aconteceu com a indústria de rações, estimulada pela produção de soja que se constituíu – o farelo – em importante insumo, como fonte de proteína vegetal de boa qualidade e baixo preço.  As rações balanceadas produzidas a partir dela, melhoraram a nutrição animal e oportunizaram  avanços importantes na conversão alimentar e nos ganhos de peso, reduzindo significativamente a idade de abate dos animais.

Ainda como decorrência de todo o processo desencadeado a partir da fundação da ABCS, seguiram-se: a) a implantação das integrações pela indústria frigorífica, com a  criação de fomentos técnicos; b) a entrada no País, mais recentemente, de empresas estrangeiras  de material genético, muito importantes no processo e sempre voltadas à produção de carne magra; c) a melhoria do manejo, a modernização das instalações, os cuidados sanitários e o melhor armazenamento e aproveitamento de dejetos.         

Instalações modernas e adequadas, sanidade, melhor manejo animal e dos dejetos, tudo isto contribuiu significativamente para o desenvolvimento da suinocultura brasileira.

Ao longo dos seus 50 anos de existência a ABCS vem caracterizando-se por uma das entidades representativas mais atuantes.  Cumprindo todos os seus propósitos, porém é destacada a sua atuação, sempre de maneira intransigente, na defesa de seus associados e da suinocultura nacional. 

3.1 - Presidentes da ABCS

  • Reinaldo Affonso Augustin – 55/58
  • Hélio Augustin – 59/62
  • Luiz Carlos Pinheiro Machado – 63/64 e 83/86
  • Hélio Miguel de Rose – 65/82
  • Ney Marques Moreira - 82
  • Paulo Tramontini – 87/90
  • João Luis Seimetz – 91/94
  • Valdomiro Ferreira Júnior – 95/98
  • José Adão Braun – 99/03 e 03/05

3.2 - Criadores pioneiros de destaque nacional:

  • Antônio Cherubini, Arlindo Félix Lusa, Arlindo Rudy Arenhart, Avelino Mores, Edmundo Sinésio Sulzbach, Evaldo Walter, Faustino Sopelsa, Leopoldo Lagemann, Manoel Cardona Machado, Odilio Arruda Lins, Orestes Munaretto, Osvaldo Eugênio Scheuer, Raimundo Bertoldi, Reinaldo Migliavacca. 

Destaque-se ainda, o importante trabalho de todos os presidentes que passaram pelas associações estaduais filiadas à ABCS. 


Sócios-fundadores 

Adão H. Fett, Adolfo Faller, Alcides Bueno, Antônio Cherubini, Arlindo Rudy Arenhart, Armando Becker, Arnaldo Diel, Arnaldo Rucker, Arthur Krindges, Aquilino Wirti, Augusto Driemeyer, Aury Ruben Moerschbaecher, Balduino Vier, Breno Scheibler, Edmundo Sinésius Sulsbach, Eduardo Reiter, Ermindo Lohmann, Evaldo Hilgemann, Evaldo Walter, Fermino Bertoldi, Fernando Sabaia Carneiro Leão, Fritholdo Gastmann, Frederico Hermann, Genuíno R. Pretto, João Carlos Athaide, João José Horn, Leandro Lampert, Leopoldo Lagemann, Luiz Carlos Pinheiro Machado, Luiz Germano Júnior, Mário Backes, Miguel Ruschel, Milton M. Quintana, Osvaldo Müller, Osvaldo Reiter, Paulo Adão Casanova, Afonso Augustin, Renato Alvez de Oliveira,Romeu A. Horn, Rudi Lackus, Rui Souza Paixão Cortes, Siegfreed Rucker,Sídio Pretto, Theobaldo Keffer, Tranquilo Damo, Waldemar de Carvalho e Silva, Waldemar Miranda de Oliveira e Wilibaldo Erthal. 

Reinaldo Afonso Augustin esteve na presidência de 1955 a 1958. Sua gestão foi marcada pela organização e tomada de rumos, fixando metas de acordo com o estatuto da ABCS. Augustin era empresário que atuava no interior de Estrela e também suinocultor de destaque no Rio Grande do Sul. 

Hélio Augustin foi presidente de 1959 a 1962 e deu continuidade ao trabalho do pai, Reinaldo Augustin, se empenhando na organização da operação visando a estruturação da entidade. 

Hélio Miguel de Rose presidiu a ABCS de 1965 a 1982.  Foram  17 anos de dedicação. Instalou a sede própria da ABCS, introduziu a inseminação artificial e as estações de provas zootécnicas e contribuiu de forma significativa para o melhoramento do rebanho nacional, especialmente no que se refere a sua transformação para a produção de mais carne e menos gordura.

Luis Carlos Pinheiro Machado presidiu a entidade de 1963 a 1964. O período foi marcado por ações relacionadas ao melhoramento do rebanho. Estabeleceu normas  orientando quanto aos procedimentos a serem adotados a fim de tecnificar a produção.  

Ney Marques Moreira completou o mandato de Hélio de Rose, falecido em 1982 e presidiu a entidade apenas naquele ano.  Deu continuidade aos trabalhos que vinham sendo realizados pelo presidente anterior.

Paulo Tramontini esteve à frente da entidade de 1987 a 1990. Participou ativamente do processo de organização associativa tanto na ABCS quanto da ACCS. Auxiliou na elaboração e implantação do primeiro programa intitulado O Porco Tipo Carne. Dentre outras colaborações.

João Luis Seimetz atuou de 1991 a 1994 e foi um presidente que buscou divulgar a associação e fez um esforço visando divulgar a carne suína a nível nacional.Valdomiro Ferreira Júnior  presidiu de 1995 a 1998 e procurou continuar o trabalho desenvolvido por João Luiz, dando ênfase à divulgação da carne suína.

José Adão Braun esteve à frente de entidade de 1999 até 2005. Seus trabalhos foram valiosos e marcados por muitas negociações e conquistas, alçando o nome ABCS para além das fronteiras do Brasil. O período mais difícil foi enfrentado durante a crise de 2002. No primeiro semestre de 2005 passou o cargo para Rubens Valentini, que preside a entidade até 2007.


O início de tudo

O início das suas atividades da Associação na metade da década de 50, foi marcado por um significativo e intenso trabalho de melhoramento do rebanho, quando iniciou a transformação do porco tipo banha em tipo carne, através da introdução de raças puras já selecionadas para produzir menos gordura e mais carne. 

O trabalho da ABCS, apoiado pelos governos dos estados, especialmente do Sul do País e do Governo Federal, iniciou com a importação de reprodutores da raça Duroc da Argentina e Estados Unidos e numa segunda fase, já na década de 60 foram trazidas da Europa principalmente as raças brancas Landrace e Large White. 

O rígido controle exercido pela ABCS através do registro genealógico, a realização de exposições especializadas a seleção de animais através de inspeção e as provas zootécnicas, fez com que as granjas registradas na ABCS, que na época localizavam-se basicamente no RS, passassem a distribuir reprodutores melhoradores para todo o País. 

Com a criação das associações estaduais filiadas à ABCS, esse trabalho se difundiu rapidamente em outros estados especialmente em SC, PR, SP e MG. 

Na medida que o rebanho melhorava geneticamente, a indústria frigorífica também entrava num processo de modernização colocando no mercado produtos de melhor qualidade.

O incremento da produção e industrialização da soja no País e a rápida substituição da banha pelo óleo de soja na alimentação dos brasileiros, desvalorizou rapidamente o animal com mais gordura, forçando assim o produtor a substituir seu plantel sem qualificação por outro já melhorado. 

Se por um lado a produção de soja prejudicou prejudicou a suinocultura com a substituição da banha pelo óleo, por outro, teve um papel muito importante na melhoria das rações, com o uso do farelo como fonte de proteína.

Outro fato importante foi a introdução de ração balanceada na nutrição dos animais, oportunizando avanços importantes na conversão alimentar e ganhos de peso, reduzindo assim, significativamente a idade de abate. 

A melhoria do manejo, a modernização das instalações, os cuidados sanitários e o melhor armazenamento e aproveitamento de dejetos, também foram fatos marcantes no desenvolvimento da suinocultura brasileira. 

A criação de fomentos técnicos e implantação das integrações pela indústria frigorífica, marcaram igualmente uma época importante no desenvolvimento do setor.

A entrada de empresas estrangeiras de material genético no País, nesse final de século, está oportunizando ganhos genéticos significativos, sempre voltados à produção de carne magra. 

Principais dificuldades enfrentadas pelo setor: 

Desequilíbrio entre custo de produção e o preço pago pelo suíno vivo, gerando agudas crises com significativos prejuízos aos suinocultores.

* Baixo consumo interno de carne.
* Pequeno volume de carne exportado.
* Falta de milho em diversas regiões produtoras do País.
* Falta de uma política oficial de apoio ao setor agropecuário.

O reconhecimento oficial e a divulgação da existência da Peste Suína Africana no País na década de 70, depreciando o setor em nível interno e externo.

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