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Voltar Publicado em: segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, 11h41
Embrapa lança plataforma inteligente que integra vigilância sanitária e análise de risco de doenças suínas
Plataforma desenvolvida em parceria com a UFMG utiliza Big Data e padrões internacionais para integrar dados laboratoriais e realizar análises preditivas de risco de doenças suínas em todo o país

A suinocultura brasileira se destaca pelos elevados padrões sanitários, pela produtividade e pelo compromisso com a sustentabilidade. Diante do desafio do monitoramento contínuo desses parâmetros, a Embrapa Suínos e Aves disponibilizou esta semana a Central de Inteligência em Saúde Suína (CISS). A plataforma integra dados de laboratórios de todo o país para antecipar riscos biológicos, otimizar a biosseguridade e fortalecer o conceito de Saúde Única, um “radar nacional” que transforma dados laboratoriais dispersos em inteligência para produtores e órgãos de defesa sanitária.
Até então, o monitoramento sanitário enfrentava o desafio da fragmentação: cada Laboratório de Diagnóstico Veterinário (LDV) utilizava sistemas e terminologias próprias. Em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Embrapa implantou padrões internacionais (como LOINC e SNOMED CT) para garantir que todos os laboratórios falem a mesma língua. Janice Zanella, pesquisadora e líder do projeto, explica que como o Brasil é um dos maiores exportadores mundiais, manter a saúde dos rebanhos é essencial, e a CISS permite análises preditivas e retrospectivas, tornando-se um instrumento inovador.
O projeto-piloto da plataforma já trouxe dados valiosos sobre a Pneumonia Enzoótica (Mycoplasma hyopneumoniae), um dos principais vilões do Complexo Respiratório Suíno (PRDC). Entre 2019 e 2025, foram analisados mais de 253 mil testes de PCR, o maior índice de positividade foi registrado em maio de 2022, quando 38% das amostras testaram positivo. Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina lideram as submissões de dados.
Além da pneumonia, estudos recentes integrados à plataforma identificaram o genótipo PCV2d como predominante no Brasil para o Circovírus suíno tipo 2, dado crucial para a atualização de protocolos de vacinação. A CISS não foca apenas na produtividade, mas na Saúde Única. A lógica é simples: animais saudáveis exigem menos antibióticos, o que reduz o impacto ambiental e previne a resistência antimicrobiana em humanos.
A vigilância é particularmente crítica para vírus como a Influenza A. Como os suínos podem ser infectados por vírus humanos e aviários simultaneamente, eles atuam como potenciais “vasos de mistura” para novas variantes. O monitoramento contínuo via CISS permite identificar precocemente agentes zoonóticos antes que se tornem ameaças à saúde pública global. Os próximos passos incluem a expansão da rede de laboratórios parceiros e a emissão de relatórios mensais para o setor. No horizonte tecnológico, a Embrapa planeja integrar Inteligência Artificial e Big Data para prever surtos com precisão matemática.
Para Janice Zanella, pesquisadora e líder do projeto, o papel do veterinário moderno vai além da granja: “Eles estão na linha de frente da saúde global. O Brasil pode liderar soluções em sanidade que impactam positivamente todo o planeta”, finaliza.
Fonte: Embrapa Suínos e Aves https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/106681420/nova-plataforma-integra-vigilancia-sanitaria-e-analise-de-risco-de-doencas-suinas