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Voltar Publicado em: sexta-feira, 21 de agosto de 2026, 9h30
Crise da suinocultura se agrava com cotação do suíno ainda em queda e com pequena alta dos insumos
Veja o panorama completo do mercado de suínos no mês de agosto!

Já entramos na segunda quinzena do mês de agosto e a crise não dá sinais de arrefecimento. Com cotações do suíno vivo e carcaças em queda (gráficos 1 e 2), o mercado doméstico ainda se mostra sobre ofertado.

Fonte: CEPEA.

Fonte: CEPEA.
A pergunta persistente é: “quando o preço pago ao produtor vai parar de cair e começar a reagir?”
Alguns dados podem dar subsídio à esta discussão. O IBGE acabou de publicar os números preliminares de abate do segundo trimestre de 2026 (tabela 1). Mais uma vez houve crescimento da produção em cabeças e toneladas de carcaças de suínos em relação ao mesmo período de 2025, porém em percentual menor que o do primeiro trimestre: enquanto foram abatidas quase 800 mil cabeças a mais entre janeiro e março (+5,5%), no período compreendido entre abril e junho/26 o crescimento foi de pouco mais 488 mil cabeças (+3,2%) em relação ao ano anterior.

*Dados de abril a junho/26 são preliminares, sujeitos a alteração
Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do IBGE.
Ainda sobre os dados do IBGE, observa-se que em junho/26 completou 16 meses de crescimento mensal ininterrupto de abate em toneladas em relação ao mesmo mês do ano anterior, conforme a tabela 2, a seguir. No acumulado de março/25 a junho/26 a produção cresceu 446,7 mil toneladas (6,3%) e a disponibilidade interna 273 mil toneladas (4,9%), ou seja, mesmo o crescimento expressivo da exportação de carne suína in natura no período (11,16%) não foi suficiente para “enxugar” o excedente de produção nestes 16 meses, fazendo com que entrasse a mais no mercado doméstico um volume equivalente a quase 1 kg per capita por habitante/ano.

*Dados de abril a junho/26 são preliminares, sujeitos a alteração
Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do IBGE e da Secex.
Se, por um lado, os dados de crescimento de abate e disponibilidade interna ainda são preocupantes, por outro, observa-se que, depois de um certo “descolamento” do preço da carcaça em relação ao suíno vivo, parece que, em agosto, finalmente a relação entre a cotação do atacado e o preço pago ao produtor voltou à normalidade, conforme o gráfico 3, a seguir. Historicamente, o preço do quilograma da carcaça é ao redor de 1,5 vezes mais caro que o preço do kg do suíno vivo para abate. Entre abril e julho/26 esta relação foi relativamente alta, chegando em quase 1,65 em junho. Com o recuo desta relação carcaça/suíno vivo nas últimas semanas, abre-se espaço para que o varejo reduza seus preços e permita uma maior competitividade da carne suína neste elo da cadeia de valor. Em outras palavras, espera-se que a queda acentuada nos preços recebidos pelo suinocultor reflita numa carne proporcionalmente e efetivamente mais barata para o consumidor final.

Média histórica ao redor de 1,50.
Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do CEPEA
Sobre as exportações, apesar da redução do ritmo de crescimento em relação ao ano passado, os volumes continuam crescentes (tabela 3). No acumulado do ano, até julho, já foram quase 800 mil toneladas de carne suína in natura (+7,53%) e 115,7 mil toneladas de processados (+21,57%), totalizando 915 mil toneladas (+9,12%), indicando que fecharemos o ano com novo recorde.

Extraído da plataforma ABCS Data Insights, com dados da SECEX.
Chama a atenção a queda, desde abril/26, dos volumes embarcados de carne suína in natura brasileira para as Filipinas (gráfico 4) que, durante muito tempo foram o principal destino, mas em julho/26 cederam o primeiro lugar para o Japão (tabela 4). No acumulado do ano as Filipinas ainda lideram a destinação das exportações com sobras, sendo que o Japão se destaca pelo alto percentual de crescimento em 2026 (tabela 5).

Destaque para julho/25 e julho/26
Elaborado por Iuri P. Machado com dados da SECEX.

Elaborado por Iuri P. Machado com dados da SECEX.

Ranking sobre 2026.
Elaborado por Iuri P. Machado com dados da SECEX.
Com o fim da colheita do milho no Brasil encerra-se a safra 2025/26 no país e todas as expectativas agora recaem sobre a safra estadunidense a ser colhida a partir de setembro e o plantio da safra 2026/27 do Brasil. Oscilações nas projeções de volumes a serem colhidos nos EUA e expectativa de super El Niño têm pressionado para cima os preços do milho e, principalmente, do farelo de soja. Não se trata de alta exorbitante, mas mantém o viés de queda na relação de troca com o preço do suíno (gráfico 5) agrava a situação do suinocultor independente que opera já há alguns meses com margens negativas.

Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja.
Média de agosto de 2026 até dia 18/08/2026.
Elaborado por Iuri P. Machado com dados do CEPEA – preços estado de São Paulo
O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que os dados preliminares de abate do IBGE referentes ao segundo trimestre só confirmam o que o mercado já percebia em termos de expressiva sobre oferta de suínos. “Apesar do crescimento do abate se manter entre abril e junho, já se percebe uma desaceleração em relação aos trimestres anteriores. Com as carcaças caindo percentualmente mais do que o suíno vivo nas últimas semanas, abre-se espaço para que o varejo siga na direção de baratear a carne para o consumidor final na mesma proporção que caiu o preço pago ao produtor. Só assim, com uma maior fluidez em cada elo da cadeia que o ajuste entre oferta e demanda pode voltar a ser mais favorável ao suinocultor”, conclui.