Notícias
Filiadas em Destaque
Voltar Publicado em: quinta-feira, 5 de março de 2026, 10h11
FNDS Collab reúne lideranças do setor e promove reflexão estratégica sobre mercado, consumo e futuro da suinocultura
Com uma programação que recebeu nomes como Alexandre Mendonça de Barros e Michel Alcoforado, a Collab reuniu conteúdo técnico, análise de cenário e provocação, proporcionando um ambiente de escuta, aprendizado e conexão

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realizou mais uma edição do FNDS Collab, evento anual que reúne lideranças da suinocultura brasileira em um encontro marcado por conexão, conteúdo estratégico e troca qualificada. O evento contou com a participação de representantes das associações estaduais, frigoríficos, produtores, empresas do setor e lideranças institucionais, na última quarta-feira (4), em São Paulo, fortalecendo o diálogo entre os diferentes elos da cadeia. O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, agradeceu a presença de todos, especialmente os contribuintes do FNDS, e destacou a necessidade de criar conexões que ampliem o relacionamento, e aproximem as novas gerações do agronegócio.
Consolidando-se como um espaço estratégico de alinhamento e relacionamento, com foco na leitura de cenário, no comportamento do consumidor e nas decisões que impactam o futuro da atividade, a Collab contou com uma programação recheada de grandes nomes, como Alexandre Mendonça de Barros, sócio-CEO da MBAgro, que trouxe uma análise das perspectivas de mercado e dos principais movimentos esperados para o agronegócio. E o antropólogo e autor best-seller Michel Alcoforado, que conduziu uma reflexão sobre comportamento do consumidor, padrões de consumo e oportunidades emergentes.
Geopolítica e mercado
Em sua exposição, o economista destacou fatores econômicos, tendências globais e desafios que influenciam diretamente a competitividade e as estratégias da cadeia suinícola. Na palestra “Cenários do Agronegócio Brasileiro 2026”, o economista Alexandre Mendonça de Barros apresentou uma análise do contexto econômico global e brasileiro e seus impactos para o agronegócio. Segundo ele, a atividade econômica deve desacelerar apenas de forma gradual, com expectativa de crescimento do PIB brasileiro em torno de 1,8%, enquanto a inflação tende a ficar próxima de 4%.
O especialista destacou que um cenário de cautela monetária e desafios fiscais no país. A deterioração das contas públicas também foi apontada como um risco, com tendência de aumento da relação dívida/PIB nos próximos anos. No cenário internacional, a economia global deve crescer de forma moderada, com mudanças importantes na política econômica dos Estados Unidos e no papel da China no comércio mundial. Apesar das tensões comerciais, o setor externo brasileiro tende a permanecer forte, impulsionado pelas exportações do agronegócio. Para o agronegócio, a perspectiva é relativamente positiva, com boa safra agrícola, condições favoráveis para commodities e demanda externa consistente, fatores que ajudam a sustentar o desempenho do setor em 2026. Ele alerta ainda, que em decorrência dos conflitos recentes, o Brasil enfrentará um impacto no embarque de carnes, no custo do frete e na compra de adubos.
Comportamento e consumo
Já a palestra de Michel Alcoforado ampliou o olhar dos participantes ao relacionar transformações sociais, cultura e tomada de decisão, oferecendo insights relevantes para a construção de estratégias mais conectadas às expectativas do mercado. Durante a palestra “O futuro do consumo está na cultura”, o antropólogo Michel Alcoforado destacou que as transformações culturais estão redefinindo a forma como as pessoas compram e se relacionam com marcas. Segundo ele, consumidores estão mais digitais, informados e protagonistas nas decisões de compra, em um cenário marcado pela economia da atenção e pela grande exposição a conteúdos e produtos.
Nesse contexto, categorias antes vistas como commodities precisam gerar valor de conversa e conexão cultural para se diferenciar. Alcoforado explica que as marcas mais relevantes são aquelas que conseguem participar das conversas que circulam nas redes e nas comunidades de consumidores. Para a carne suína, o especialista aponta oportunidades em três grandes tendências: a busca por alimentos ricos em proteína, o interesse por receitas práticas e criativas, e o movimento do “premium possível”, no qual consumidores buscam experiências de qualidade mesmo com orçamento limitado. Segundo ele, compreender essas tendências culturais pode ajudar o setor a inovar e fortalecer a presença da carne suína na mesa dos consumidores.
Ele destacou que ‘’O consumidor para e pensa muito mais antes de fazer escolhas, ele quer saber de onde essa carne veio, que marca é essa, o funil de compra mudou, não há mais separação entre canal, produto e comunicação. Marcas e produtos precisam ter um diferencial claro, entender como ser lembrado e como ganhar relevância dentro do nosso ecossistema’’, finalizou.
Parceria estratégica
Na ocasião, foi realizada a assinatura do termo de parceria institucional que oficializa uma parceria entre a ABCS e o Canal Rural, pela comunicação estratégica da suinocultura brasileira. O Canal Rural é reconhecido como principal fonte de informação para 73% dos produtores rurais, alcançando 50 milhões de lares e projetando 990 milhões de visualizações digitais em 2025, o maior ecossistema multiplataforma do agronegócio brasileiro.
É unindo essa força de distribuição à representatividade institucional da ABCS, e a condução conjunta com o especialista em agronegócio, José Luiz Tejon, que nasce o programa “Entre Gerações – Conversas que Movem o Agro”, que terá alcance nacional e impacto digital, levando informação técnica, posicionamento estratégico e protagonismo à cadeia produtiva da suinocultura. Este ato simboliza um movimento de valorização, organização e fortalecimento político do setor no maior canal de comunicação do agro brasileiro.
O presidente e CEO do Canal Rural, Julio Cargnino, compartilhou que nos últimos anos tem se discutido muito sobre a comunicação dentro e fora da porteira, ‘’ABCS nos trouxe essa pauta da sucessão e a necessidade de trazer as novas gerações para dentro do agro, e nosso programa irá trabalhar nesse sentido. Para atender essa demanda estamos colocando todo o nosso ecossistema de televisão à disposição do setor, para que essa comunicação chegue ao maior número de pessoas.’’ Jaqueline Silva, Diretora de Negócios e Conteúdo do Canal Rural, explicou ainda que haverá uma estratégia para a TV, e outra para o digital, para trazer protagonismo ao produtor rural, e chegar nas gerações que irão dar continuidade ao setor.
Durante o evento, a ABCS também separou um momento para dar as boas-vindas aos novos contribuintes do FNDS, como a ACSURS, a Asumas, a Cooperl e o frigorífico Nutribrás. O presidente da ACSURS, Valdecir Folador, destacou que o trabalho conjunto da cadeia tem mudado a realidade da suinocultura brasileira nos últimos anos, e Renato Spera, presidente da Asumas, declarou que ‘’chegou o momento do Mato Grosso do Sul contribuir com o trabalho magnífico que é feito pelo Fundo’’. A ABCS também homenageou os parceiros que contribuem com o FNDS, acreditam na prosperidade da cadeia de suínos, potencializando o trabalho da Associação.
Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, a Collab é um instrumento fundamental para o desenvolvimento da suinocultura nacional, promovendo reflexões que conectam mercado, consumo e planejamento de longo prazo, além de valorizar os contribuintes do Fundo. Ao final houve um momento para networking e troca de experiências, fortalecendo o papel da ABCS, e do FNDS em reunir conteúdo técnico, análise de cenário e provocação estratégica, proporcionando um ambiente de escuta, aprendizado e conexão que fortalece vínculos entre os diversos atores da suinocultura e contribuindo para uma atuação cada vez mais integrada, alinhada e preparada para os desafios futuros do setor.
